Silvia Cintra + Box 4

Em 2008, as galerias de arte Silvia Cintra e Box 4 decidiram pela sua fusão. A Silvia Cintra tem anos no mercado e trabalha com artistas consagrados no meio. Já a Box 4 trabalha com um seleto time de artista jovens. Da união das duas surgiu a necessidade de buscar um novo espaço, que atendesse às demandas da nova galeria.

A galeria de arte apresentada, com o nome de Silvia Cintra + Box 4,  localiza-se na Rua das Acácias, uma rua bucólica do bairro da Gávea. O desafio era criar um espaço moderno, mas ao mesmo tempo neutro, que funcionasse bem no dia-a-dia de uma galeria comercial e que, talvez o mais importante, destacasse o produto comercializado: as obras de arte.

O projeto consistiu na reforma para da edificação existente para adaptá-la ao uso de uma galeria de arte. Após os estudos preliminares, optou-se pela reforma, sem demolição, da construção existente de forma a fim de se obter um melhor aproveitamento do terreno e uma solução que atendesse o programa inicial da galeria.

O programa, apesar de parecer simples (sala de exposição x área de trabalho x área para armazenamento de obras de arte), deveria ser bem resolvido, de forma a facilitar o funcionamento da galeria no dia a dia. A galeria possui 3 pavimento, sendo o térreo destinado a sala de exposição, uma copa de apoio a eventos e um banheiro público. No primeiro pavimento encontram-se o escritório, duas salas privativas para as proprietárias, um terraço descoberto, além de infra estrutura de banheiro e copa. Já o segundo pavimento se destina reserva técnica e uma sala onde o acervo da galeria fica exposto. Essa sala é um dos diferenciais da galeria, já que as obras do acervo podem sempre ficar expostas, independente da exposição em cartaz. Além disso, a reserva técnica está ao lado, onde os clientes podem ver todas as obras armazenadas.

Um dos conceitos mais importantes do projeto foi a preocupação com o uso de materiais neutros para dar destaque a obras expostas. Por isso apostou-se no piso de concreto aparente em todos os ambientes, inclusive na escada, além de esquadrias em tons de cinza chumbo.

A acessibilidade também foi contemplada no projeto, com a inclusão de um banheiro adaptado para o uso de portadores de necessidades especiais, além de um elevador que permite o acesso universal a todos os pavimentos da edificação.

A iluminação natural é um dos destaques do projeto. Todos os ambientes da galeria apresentam algum tipo de iluminação natural. As salas privativas possuem janelas voltadas para o fundo do terreno, o prisma da escada é rasgado por uma grande esquadria (fachada frontal), a sala de exposição apresenta uma clarabóia, assim como na sala de acervo. A diferença é que esta última é retrátil pois os quadros de grande formato chegam a reserva técnica através da cobertura.

Por se tratar de um espaço comercial, a galeria deve expor de maneira apropriada as obras de arte. Para isso o projeto luminotécnico é muito importante. Na sala de exposição, além da luz natural (propiciada pela clarabóia no fundo da sala), trabalhamos com 3 tipos de iluminação que se complementam para que as obras expostas sejam bem iluminadas. Uma lona tensionada no meio do teto do salão dá uma luz geral. Sancas além de “soltar” o forro, lavam as paredes. Spots com lâmpadas incandescentes dão uma luz de destaque as obras de arte.

O pé direito da sala de exposição também foi uma das questões que nortearam a proposta. Por se tratar de uma galeria comercial, e não um museu, observou-se que um pé direito muito alto seria ruim, pois as obras acabariam sendo muito grandes, o que inviabilizaria a sua comercialização, visto que os padrões médios nas residências atuais são pequenos. Dessa forma, o valor final adotado foi de 3,80 m, o que confere uma boa proporção para as dimensões da sala.

O posicionamento da escada foi um dos pontos de partida do projeto. Ela localiza-se na parte da frente da construção e um núcleo de serviço (com banheiro, copa e elevador) foi criado ao lado da escada e se repete por todos os pavimentos.

A subir a escada, é possível apreciar as vista da copa das arvores e do terraço de esculturas do primeiro pavimento.

A fachada tem linhas retas e modernas para contrastar com as edificações ao lado, e dar destaque a galeria. Na projeção da construção existente, ela foi revestida com um painel ondulado que dá conforto térmico para a construção.

Ao mesmo tempo em que é um bloco fechado, a escada escultural que faz a ligação vertical entre os pavimentos é visível de fora, criando uma integração entre o interior e o exterior, contato este que também é permitido pela porta de entrada, toda de vidro. Por ela é possível ver a sala de exposição e convidar os transeuntes a conhecerem o espaço.

Ficha técnica

Data: 2010
Área: 376m2

Projeto de arquitetura:
Autor: Tiago Freire e Marcelo Jardim
Co-Autor: Ana Luisa Cairo

Projeto luminotécnico: Maneco Quinderé
Projeto estrutural: Marcio Pompei
Projeto ar condicionado: Ambient Air
Construtora: Tenerife

Fotos: MCA Estudio

Premiado na premiação anual do IAB-RJ